Quarta-Feira, 08 de Setembro de 2010 - 08:37

Saneamento básico deve chegar a todo país apenas em 2122

29/12/2009

   Se o ritmo lento dos investimentos continuar, os brasileiros terão que esperar mais de um século para ter acesso a um serviço básico como a rede de esgoto

   Dar descarga, ao contrário que muita gente pensa, não quer dizer que os dejetos serão jogados na rede de esgoto e tratados. Dos domicílios brasileiros, 51% não têm acesso a saneamento básico. Isso corresponde a 46% da população e quer dizer que o esgoto de mais de 90 milhões de pessoas não tem destino apropriado. Na maior parte das vezes ele é liberado na natureza sem qualquer tratamento. As conseqüências desse cenário estão na Pesquisa Trata Brasil - Saneamento e Saúde, realizada pelo Instituto Trata Brasil e a Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgada nesta terça-feira (27).

   "O Brasil não apresenta nenhum ponto positivo quando se trata de saneamento", diz o diretor-executivo do Trata Brasil, Raul Pinho. Os indicadores mostram que o saneamento é o serviço de infra-estrutura que menos cresceu no Brasil. Enquanto apenas 43% da população têm saneamento, os índices de acesso à eletricidade são de 93% e de água, 77%. Se continuar no mesmo passo, o saneamento só estará disponível para toda população brasileira em 2122.

   "Por ser algo invisível - já que os esgotos são enterrados - e cujos problemas atingem principalmente crianças, o tema saneamento não tem peso político", afirma Pinho. "É um equívoco, pois gasta-se muito mais para remediar do que prevenir". Segundo o especialista, para cada R$ 1 investido em saneamento, são economizados R$ 4 em despesas médicas.

    O problema começa pela falta de investimento público em infra-estrutura: o Brasil investe apenas um terço do que seria necessário para as obras de ampliação da rede de esgoto. Hoje, apenas 0,2% do PIB é aplicado em saneamento básico, quando o ideal seria 0,63%. Ainda assim, dos recursos disponibilizados ano passado, apenas 30% foram utilizados pelos governos estaduais e municipais. Apesar do cenário desanimador, Marcelo Néri, professor da GV e coordenador do estudo, anima-se com a promessa de liberação de 40 bilhões de reais pelo Programa de Aceleração da Economia nos próximos quatro anos. Além disso, como 2008 foi escolhido pela ONU como ano internacional do saneamento básico e, no Brasil, acontecerão eleições municipais, há alguma esperança de que o assunto entre em pauta.

   "É claro que não podemos esperar que o governo público faça tudo. Temos que mobilizar a sociedade civil para conhecer a situação e fazer pressão", diz Néri. "Sabemos que o melhor modo é informar a opinião pública. Um político guardaria o relatório na gaveta."



Fonte: Revista Época

Serviço Autônomo Municípal de Água e Esgoto
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